De Todas as Maneiras

Chico Buarque
Composição: Chico Buarque de Hollanda
De todas as maneiras que há de amar
Nós já nos amamos
Com todas as palavras feitas pra sangrar
Já nos cortamos
Agora já passa da hora, tá lindo lá fora
Larga a minha mão, solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado
Quando entra o verão

De todas as maneiras que há de amar
Já nos machucamos
Com todas as palavras feitas pra humilhar
Nos afagamos
Agora já passa da hora, tá lindo lá fora
Larga a minha mão, solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado
Quando entra o verão

Sob Medida

(Chico Buarque)

Se você crê em Deus erga as mão para os céus e agradeça
Quando me cobiçou sem querer acertou na cabeça
Eu sou sua alma gêmea
Sou sua fêmea, seu par, sua irmã
Eu sou seu incesto (seu jeito, seu gesto)
Sou perfeita porque igualzinha a você
Eu não presto, eu não presto
Traiçoeira e vulgar sou sem nome e sem lar sou aquela
Eu sou filha da rua, eu sou cria da sua costela
Sou bandida, sou solta na vida e sob medida
Pros carinhos seus
Meu amigo, se ajeite comigo e dê graças a Deus
Se você crê em Deus encaminhe pros céus uma prece
E agradeça ao Senhor, você tem o amor
Que merece

O Casamento dos Pequenos Burgueses

Chico Buarque
1977-1978

Ele faz o noivo correto
E ela faz que quase desmaia
Vão viver sob o mesmo teto
Até que a casa caia
Até que a casa caia

Ele é o empregado discreto
Ela engoma o seu colarinho
Vão viver sob o mesmo teto
Até explodir o ninho
Até explodir o ninho

Ele faz o macho irrequieto
E ela faz crianças de monte
Vão viver sob o mesmo teto
Até secar a fonte
Até secar a fonte

Ele é o funcionário completo
E ela aprende a fazer suspiros
Vão viver sob o mesmo teto
Até trocarem tiros
Até trocarem tiros

Ele tem um caso secreto
Ela diz que não sai dos trilhos
Vão viver sob o mesmo teto
Até casarem os filhos
Até casarem os filhos

Ele fala de cianureto
E ela sonha com formicida
Vão viver sob o mesmo teto
Até que alguém decida
Até que alguém decida

Ele tem um velho projeto
Ela tem um monte de estrias
Vão viver sob o mesmo teto
Até o fim dos dias
Até o fim dos dias

Ele às vezes cede um afeto
Ela só se despe no escuro
Vão viver sob o mesmo teto
Até um breve futuro
Até um breve futuro

Ela esquenta a papa do neto
E ele quase que fez fortuna
Vão viver sob o mesmo teto
Até que a morte os una
Até que a morte os una

…É, meu amigo, só resta uma certeza,
é preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar de novo o amor…

Carta ao TOM 74
Vinicius e Toquinho

Cair em Si

Às vezes parece um tambor,
Mas não é tambor nem nada, é o coração
Que fica entre a paz e o terror
Quando vejo a sua cara
Entre as caras da multidão

Logo fico cansado
Como se tivesse estado a correr
Num segundo já me sinto
Sem uma gota de sangue
Mal consigo respirar, sobreviver

Só Deus sabe o saldo
Creditado ao amor que lhe dou
Se terei sono tranqüilo ou vida sobressaltada
Não sei nada, não sei nada.

Olhar pro sol, vencer o mar,
Admitir, brigar com o par.. Isso é nada!
Não ter você, cair em si,
Morrer de amor não é o fim mas me acaba..

Djavan

Bom Conselho

Bom Conselho

Chico Buarque

Composição: Chico Buarque

Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança

Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar

Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade

Bicho de Sete Cabeças

Não dá pé
Não tem pé, nem cabeça
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito
Não tem nem talvez ter feito
O que você me fez desapareça
Cresça e desapareça…

Não tem dó no peito
Não tem jeito
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem pé, não tem cabeça
Não dá pé, não é direito
Não foi nada
Eu não fiz nada disso
E você fez
Um Bicho de Sete Cabeças…

Não dá pé
Não tem pé, nem cabeça
Não tem ninguém que mereça (Não tem ninguém que mereça)
Não tem coração que esqueça (Não tem pé, não tem cabeça)
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito (Não dá pé, não é direito)
Não tem nem talvez ter feito (Não foi nada, eu não fiz nada disso)
O que você me fez desapareça (E você fez um)
Cresça e desapareça… (Bicho de Sete Cabeças)

Bicho de Sete Cabeças!
Bicho de Sete Cabeças!
Bicho de Sete Cabeças!

Nova Manhã

Para melhor a gente compreender
O que feriu sem parar e te levou
Nenhum lugar e nada para falar
O que ficou de nós dois
Não faz sentido

Procurei
Não pensar
Me tranquei, sem querer
Num lugar que nem sei
Solidão
É distante demais
Uma nova manhã
E nem sei
Quando virá
Mas virá

Era melhor a gente não conhecer
O que passou a chamar felicidade
Nenhum lugar e nada para falar
Do que ficou de nós dois
Pela cidade

Procurei
Não pensar
Me tranquei, sem querer
Num lugar que nem sei
Solidão
É distante demais
Uma nova manhã
E nem sei
Quando virá
Mas virá

Já não tem mais jeito
Perdi a razão
Tudo novo corpo livre e sem sono
É como o silêncio
Que veio morar
Nesse quarto
Corpo livre e sem sono

14 Bis

Composição: Flávio Venturini, Vermelho e Tavinho Moura

O tempo que antecipa o fim também desata os nós.

O QUERERES (Caetano Veloso)

….O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim….

« Entradas antigas