Intervalo…

Antefalhei a vida, porque nem sonhando-a ela me apareceu deleitosa.

Chegou até mim o cansaço dos sonhos… Tive ao senti-lo uma sensação externa e falsa, como a de ter chegado ao término de uma estrada infinita. Transbordei de mim não sei para onde, e aí fiquei estagnado e inútil. Sou qualquer coisa que fui. Não me encontro onde me sinto e se me procuro, não sei quem é que me procura. Um tédio a tudo amolece-me.

Sinto-me expulso da minha alma.

Assisto a mim. Presenceio-me. As minhas sensações passam diante de não sei que olhar meu como coisas externas. Aborreço-me de mim em tudo. Todas as coisas são, até às suas raízes de mistério, da cor do meu aborrecimento.

Estavam já murchas as flores que as Horas me entregaram. A minha única ação possível é vê-las desfolhando lentamente. E isso é tão complexo de envelhecimentos!

A mínima ação é-me dolorosa como uma heroicidade. O mais pequeno gesto pesa-me no ideá-lo, como se fora uma coisa que eu realmente pensasse em fazer.

Não aspiro a nada. Dói-me a vida. Estou mal onde estou e já mal onde penso em poder estar.

O ideal era não ter mais ação do que a ação falsa de um repuxo – subir para cair no mesmo sítio, brilho ao sol sem utilidade nenhuma a fazer som no silêncio da noite para que quem sonhe pense em rios no seu sonho e sorria esquecidamente.

 

 

 

 

Nossos pensamentos mais importantes são os que contradizem nossos sentimentos.

Paul Valéry

Sonhos…

o que seriam sonhos??
sonhos seriam desejos escondidos
ou vontades encobertas, pedindo pra sair…
sonhos são sentimentos expontaneos
que o subconsciente deixa passar
e a nossa alma os vê com tanta verdade
que se deixa levar e nos faz acreditar

Paulo Master

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

Carlos Drummond de Andrade