Sentimento

Os sentimentos não fazem sentido se não tivermos como referência o outro… no amor é alguém que amamos… no ódio é alguém que odiamos… mesmo no sentimento de solidão o que sentimos tem como referencial os outros que estão ausentes. Os sentimentos são o que de mais forte existe para o ser humano… são o borbulhar da alma que, pela sua intensidade, nos faz sentir vivos. Todavia, os sentimentos têm a capacidade de, lentamente, se irem moldando… evoluindo… crescendo… ou apagando. Nada disto teria importância se os nossos sentimentos não dependessem também daquilo que os outros sentem… das evoluções sentimentais por que passam. E quando as evoluções divergem surgem os afastamentos… que podem ser agudizados se a vontade de estar afastado surge apenas de uma das partes… Não se destoem sentimentos que demoraram anos a construir num par de dias… quem nunca quis que fosse de outra forma? Leva tempo… e eu não sou excepção… sem ti… senti tudo o que foi necessário para crescer… sem ti muito tempo… senti mais do que devia ter sentido… Hoje quero continuar e sentir-me vivo novamente… quero de novo sentir tudo intensamente… sem ti! Cada um de nós pode voltar a sentir… mesmo que hoje sinta que não pode voltar a senti-lo da mesma forma… eu sinto que sim!

Cinzas – Paulinho Moska

Jez em sua homenagem.

Atitude

Minha esperança perdeu seu nome…
Fechei meu sonho, para chamá-la.
A tristeza transfigurou-me
como o luar que entra numa sala.

O último passo do destino
parará sem forma funesta,
e a noite oscilará como um dourado sino
derramando flores de festa,

Meus olhos estarão sobre espelhos, pensando
nos caminhos que existem dentro das coisas transparentes.
E um campo de estrelas irá brotando
atrás das lembranças ardentes.

Cecilia Meireles

Fanatismo

“Minh’alma de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu amor, a ler,
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!….

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina, fala em mim!
E olhos postos em ti, digo de rastos

“Ah! Podem voar mundos, morrer astros
que tu és como Deus: princípio e fim!…”

Florbela Espanca

Cantada por: Fagner e Zeca Baleiro

“Não se pode enganar o pensamento”