Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Fernando Pessoa

É preciso ter asas quando se ama o abismo

Casamento

“Ao pensar sobre a possibilidade do casamento, cada um deveria se fazer a seguinte pergunta:
- Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a velhice?
Tudo o mais no casamento é transitório”.

Nietzsche

Quero

Quero grandes histórias e estórias
Quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada
Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira
Mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer
E me fazer crêr que é para sempre
Quando eu digo convicta que “nada é para sempre”.

Gabriel Garcia Marquez

O Silencio

Só entende o valor do “silêncio” quem tem necessidade de calar para não ferir alguém.

Rosseau

O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!

Florbela Espanca

QUERO

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

Carlos Drummond de Andrade

Santa crueldade

Um homem dirigiu-se a um santo, tendo nas mãos uma criança recém-nascida. “Que devo fazer com esta criança?”, perguntou ele, “ela é miserável, deformada e não tem vida bastante para morrer”. “Mate-a”, gritou o santo com voz terrível, “mate-a e segure-a nos braços por três dias e três noites, a fim de criar em si mesmo uma lembrança: – desse modo você não gerará novamente um filho quando não for tempo de fazê-lo”.” – Ouvindo isso, o homem partiu decepcionado; e muitos censuraram o santo por haver aconselhado uma crueldade, pois aconselhara matar a criança. “Mas não é mais cruel deixá-la viver?”, exclamou o santo.

Nietzsche, F. A gaia ciência
Fonte: http://www.eternoretorno.com/2009/08/29/vida-em-queda-livre/

Temporalidade e suicídio

Os homens passam a maior parte da vida se entretendo e só se dão conta do tempo do relógio. Que dádiva! Mas em algum momento eles terão que se deparar com um tempo que não pode ser contado nem contemplado, mas sentido… um peso dilacerando a consciência, o corpo escorrendo, o mundo esvaziando. Não será esse tempo que é meu e não pode ser compartilhado com ninguém senão sentido por mim, uma categórica sedução ao suicídio?

Não descarto a possibilidade de dizer que o homem possa dançar e cantar enquanto cai no abismo da existência. Mas não temos o tempo do relógio para não nos suicidarmos?

O dia e a noite são anjos da guarda do suicídio. Os homens têm os dias e as noites, as semanas os meses e os anos para se sentirem renovados, para se iludirem de que a vida se re-nova a cada ciclo desse tempo instituído, do contrário, o tempo ontológico sentido como contínuo, denso e ubíquo, um nada-ser completo, corroendo cada poro do nosso ser, então o suicídio seria necessidade de muitos.

Fonte: http://www.eternoretorno.com/2009/09/13/temporalidade-e-suicidio/

No amor abstrato para com a humanidade, não se ama a ninguém, e sim a si próprio.

O idiota. Dostoiévski, F.

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